O produto mais exportado de cada país da América do Sul

Exportação América do Sul
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Dando continuidade na série de comércio exterior da América Latina, onde já visualizamos o maior parceiro comercial de cada país, trazemos agora o principal produto exportado por esses países e seu valor exportado no ano de 2016.

O primeiro lugar, como já mencionado no primeiro artigo, surpreendentemente fica com a Venezuela, que exportou em 2016 U$ 24,9bi de petróleo cru. Mas fazendo uma análise um pouco mais detalhada, veremos que este número corresponde a 70% de todo o volume exportado por eles. O segundo colocado, Brasil, tem o minério de ferro como principal exportação, no valor de U$ 20,5bi. Porém olhando pela mesma ótica, esse produto representa apenas 9,1% de toda exportação brasileira.

Em terceiro lugar temos o Chile com U$ 14,9bi de cobre refinado exportado, logo após a Colômbia com U$ 11,8bi de petróleo cru em seguida a Argentina com U$ 10,5bi de farelo de soja. Em sexto o Peru, com U$ 8,8bi de minério de cobre e seu vizinho Equador na sequência, com U$ 5,83bi de petróleo cru exportado. Completando o resto dos países temos a Bolívia com U$ 3,81bi de gás liquefeito de petróleo (GLP), o Paraguai com U$ 1,98bi de Soja, o Uruguai com U$ 1,1bi de carne bovina, a Guiana com U$ 0,83bi de Ouro seguida pelo seu vizinho Suriname com U$ 0,95bi de Ouro também. A Guiana Francesa não consegui informações de valores, mas sabe-se que a pesca é seu produto mais exportado.

América do Sul das Commodities

Analisando o infográfico acima, de cara podemos notar a total dominância de commodities como principal produto exportado pelos países sulamericanos. Mas isso não quer dizer que destinar sua mão-de-obra e matéria-prima para extração de produtos de origem primária, seja algum ruim. Na verdade é até melhor, pois assim os países se especializam no que são bons e se tornam melhores que os outros nisso.

Para exemplificar o que estou falando, nada melhor que Milton Friedman para explicar em poucos minutos:

https://www.youtube.com/watch?v=skx8a90xI78

Na “história de um lápis” podemos ser ainda mais específicos para o caso brasileiro. No vídeo, Milton diz ter conhecimento de que a madeira usada para fabricar o lápis foi cortada no estado de Washington. Para ser cortada foi necessária uma serra, para se fazer uma serra é necessário aço, e para fazer aço, precisamos de minério de ferro. Vejam bem, na fabricação de um simples lápis haverá a necessidade da mercadoria mais exportada pelo Brasil. Isso é a divisão internacional de trabalho, permitida graças ao livre comércio e globalização.

Não há necessidade de gastarmos nossos recursos tentando fabricar coisas das quais não somos especialistas. Ao fabricarmos carros aqui no Brasil por exemplo, e tributarmos massivamente os importados, tudo em nome de “proteger a indústria nacional”, criamos um protecionismo que nos “premia” com preços de automóveis absurdos. Poderíamos muito bem direcionar essa mão-de-obra para a extração de produtos primários e importar sem tributação carros europeus de primeira linha, com preços acessíveis.

Usando o exemplo do Chile para embasar o meu ponto de vista, o país andino possui além do cobre, uvas e filetes de peixe entre as mercadores mais exportadas. Quantas montadoras de carro? Nenhuma. O Chile extrai cobre e importa carros que chegam ao consumidor com preços até 20% menores que aqui no Brasil. É um exemplo claro de bom uso da divisão de trabalho internacional, da globalização e do livre mercado.
Outro exemplo claro seria a Nova Zelândia, que possui entre suas principais exportações, leite, carne de ovelha e madeira. Montadoras de carros? Nenhuma. Resultado, o país pouco tributa automóveis de fora,e seus preços ficam acessíveis ao consumidor local.

Não há mágica nisso, ao tentarmos produzir de tudo a fim de utopicamente querer proteger a indústria nacional, acabamos produzindo um monte de porcarias e com alto custo. Imaginemos o seguinte cenário, o governo decide tributar ainda mais os smartphones, forçando (isso se as empresas quiserem mesmo) as montadoras a abrirem fábricas no Brasil. Obviamente não conseguiríamos competir com o custo de uma fabricação no Taiwan, e então ou a empresa teria de baixar o nível de qualidade (não vem em mente os carros 1.0?) ou ela simplesmente optaria por não operar no Brasil.

Concluindo, todo protecionismo é burro e prejudica o consumidor local. Fazer uso da globalização, divisão internacional do trabalho e nos especializarmos naquilo que somos bons, é o único caminho para termos produtos e serviços de qualidade acessíveis a todos.