O maior parceiro comercial de cada país da América do Sul parte II

South America II
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Continuando a série de posts sobre o comércio exterior da América do Sul, mostramos agora no infográfico acima os maiores parceiros comerciais de cada país sulamericano, mas do ponto de vista das importações dessa vez.

Se no artigo sobre os principais destinos das exportações da América do Sul podemos perceber um certo domínio chinês, nas origens de importações claramente notamos a dominância dos Estados Unidos no continente. A América do Sul importou em 2016 cerca de 940 bilhões de dólares, sendo o Brasil o maior importador com U$ 344bi (36,7%), o Chile em segundo com U$ 132bi (14%), a Argentina em terceiro com U$ 128bi (13,6%), a Colômbia em quarto com U$ 103bi (11%) e Peru em quinto com U$ 82bi (8,7%).

Importações

É histórico no Brasil políticos e população tratarem importações como algo ruim e prejudicial a indústria nacional. Como consequência, temos hoje uma das maiores cargas tributárias sobre produtos importados e nos colocamos como um dos países com economia mais fechada do mundo. Não obstante a alta incidência de impostos em importados, temos também um dos mais altos índices de barreiras não tarifárias, como exigências de especificações de produtos e medidas antidumping. Em 2016, das 340 barreiras impostas por toda América do Sul, Central e Caribe, 194 eram só do Brasil.

Conforme coloquei no primeiro artigo sobre as exportações, que o Mercosul atrapalha nossas exportações, com as importações a situação é exatamente a mesma. Por estarmos amarrados com outros países para negociações globais, muitos países e blocos econômicos evitam fechar negócio com o Brasil. Um exemplo claro recentemente foi o nosso país ter ficado de fora do maior acordo multilateral dos últimos 20 anos, em que 201 componentes de informática ficaram livres de tarifas de importação. Devemos achar bonito pagar valores absurdos por eletrônicos e ter o Iphone mais caro do mundo por exemplo.

Mas nem só de eletrônicos e componentes de informática somos afetados com a alta tributação e barreiras não tarifárias. Importamos trigo para fazer o pão que comemos, importamos petróleo refinado para abastecer nossos veículos, importamos medicamentos usados no dia a dia, agrotóxicos, fertilizantes e pesticidas que encarecem nossa produção agrícola, e inúmeros outros bens de consumo e capital. Ou seja, taxar e dificultar a entrada de produtos importados é prejudicar diretamente o consumidor, e principalmente impede que as pessoas de baixa renda adquiram produtos de qualidade.

No outro artigo em que falo dos maiores produtos exportados pelos países sulamericanos, explico um pouco as vantagens do livre comércio e divisão internacional do trabalho. Complementando o exposto lá, ao permitirmos o pleno livre comércio em nossos país sem taxações e barreiras, teremos a oportunidade de comprarmos os melhores produtos das empresas e pessoas mais talentosas de qualquer lugar do mundo. Ao contrário, se barrarmos esses produtos e tentarmos fabricar por conta, satisfazendo a bobagem de “proteção da indústria nacional”, teremos produtos nacionais de baixa qualidade (carros 1.0 a preços absurdos) ou sequer teremos oferta de determinados produtos em nosso país. Um exemplo claro do que estou falando, esse vídeo traz a produção de um simples sanduíche em que o autor decide produzir todos os componentes por conta própria:

https://www.youtube.com/watch?v=URvWSsAgtJE

Como resultado, teve um custo de 1.500 dólares e de gosto razoável, como o próprio autor coloca no fim do vídeo.

Conclusão

Essa utopia de proteção da indústria nacional é uma das piores desinformações já disseminadas em nosso país. Todo esse protecionismo protege apenas o consumidor de ter acesso a produtos de qualidade e com preços acessíveis. Protege também empresas ineficientes de sofrerem com a concorrência e protege cartéis e monopólios, como é o caso de nosso combustível. Os países mais ricos do mundo são os que possuem as fronteiras mais abertas ao comércio internacional, e com essa atitude, eles permitem que seus consumidores tenham acesso ao que de melhor cada país do mundo pode oferecer.

Mais

Se gostou do artigo e quiser uma análise nesse sentido sobre a Europa, recomendo o artigo Zona do Euro e a Alemanha do parceiro Viver de Dividendos, o qual faz uma análise das importações e exportações da zona do euro.