O produto mais importado de cada país da América do Sul

Importação
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Neste último artigo da série sobre o comércio exterior da América do Sul, trazemos o produto mais importado de cada país no ano de 2016.

Á primeira vista do infográfico acima, podemos notar a predominância do petróleo refinado como principal produto importado de oito dos treze países sulamericanos. O produto que nada mais é do que o petróleo cru fracionado ou transformado em seus derivados (gás natural, GLP, gasolina, querosene e etc.), é também a principal mercadoria comprada de nosso país.

No artigo Há estado demais em nossa gasolina explico um pouco o porquê do Brasil, um dos maiores produtores de petróleo do mundo, possuir poucas refinarias e ser obrigado a importar grandes quantidades de petróleo refinado para satisfazer a demanda interna. Em resumo do artigo, protecionismo e regulamentações impedem concorrentes de virem instalar uma refinaria no Brasil, e assim ficamos reféns da Petrobrás que é responsável por 98% do petróleo refinado em nosso país hoje.

Fugindo um pouco das commodities, temos a Argentina e Chile em segundo e terceiro lugar respectivamente, com a importação de carros. Conforme expliquei no artigo O produto mais exportado de cada país da América do Sul, o Chile é um exemplo de país que faz bom uso da divisão internacional de trabalho e livre comércio. O país andino foca seus esforços naquilo que são bons, exportam cobre, uvas e peixes, e ao impor poucas barreiras e baixos impostos de importação, importam carros, caminhões e equipamentos eletrônicos.

Complementando o tema de importações, o qual inicei neste artigo, transcrevo aqui a clássica petição sarcástica que Frédéric Bastiat enviou ao governo francês em meados de 1800. Contextualizando, nessa época a França impôs pesadas taxas de importação para diversos tipos de produtos, desde agulhas até locomotivas, tudo em nome de “proteger a indústria nacional”. Foi então que Bastiat escreveu a Petição dos fabricantes de velas, segue uma versão resumida:

Petição dos fabricantes de velas, candeias, lâmpadas, candelabros, lanternas, corta-pavios, apagadores de velas, e dos produtores de sebo, óleo, resina, álcool, e em geral de tudo relativo à iluminação.

Aos membros da Câmara dos Deputados.

Cavalheiros:

Sua principal responsabilidade é para com os interesses do produtor. Os senhores desejam protegê-lo da competição estrangeira e reservar o mercado doméstico para os produtores nacionais.

Estamos sofrendo a intolerável concorrência de um rival estrangeiro, o qual possui uma vantagem competitiva tão incrivelmente superior no que diz respeito à produção de luz, que ele consegue inundar nosso mercado doméstico com esse produto a um preço impressionantemente baixo.

No momento em que ele fornece seu produto, nossos consumidores nos abandonam e correm para esse nosso rival, e assim uma importante indústria nacional com inúmeras ramificações é deixada completamente estagnada.

Este rival, que vem a ser ninguém menos que o sol, faz-nos uma concorrência tão impiedosa, que suspeitamos ser incitado pela pérfida Inglaterra (boa diplomacia nos tempos que correm!), visto que o mesmo tem por aquela esnobe ilha uma condescendência que se dispensa de ter para conosco.

Pedimos-vos encarecidamente, pois, a gentileza de criardes uma lei que ordene o fechamento de todas as janelas, clarabóias, frestas, gelosias, portadas, cortinas, persianas, postigos e olhos-de-boi; numa palavra, de todas as aberturas, buracos, fendas e fissuras pelas quais a luz do sol tem o costume de penetrar nas casas, para prejuízo das meritórias indústrias de que nos orgulhamos de ter dotado o país — um país que, por gratidão, não deve nos abandonar agora em prol de tão desigual concorrência estrangeira.

Se os senhores impedirem ao máximo todo o acesso à luz natural, criando assim uma demanda por luz artificial, qual indústria francesa não se sentirá estimulada? Qual indústria francesa não será beneficiada por tal protecionismo?

Se mais sebo for consumido, terá de haver mais gado bovino e ovino; e, consequentemente, ver-se-á multiplicarem-se as pastagens, a carne, a lã, o couro e, sobretudo, o estrume, que é o alicerce de toda a riqueza agrícola.

Se mais óleos forem consumidos, estaremos estimulando a cultura da papoula, da oliveira e do nabo. Estas plantas ricas e erosivas oportunamente nos permitirão aproveitarmo-nos da crescente fertilidade que o rebanho adicional trará às nossas terras.

Nossas terras áridas serão cobertas com árvores repletas de resina. Numerosos enxames de abelhas recolherão, nas nossas montanhas, tesouros perfumados que emanam das flores – as quais hoje desperdiçam suas fragrâncias no ar desértico.  Não haverá, pois, um único ramo da agricultura que não se beneficiará enormemente de tal política.

As mesmas observações se aplicam à industrial naval. Milhares de barcos seguirão para a pesca da baleia e, em pouco tempo, possuiremos uma marinha digna de manter a honra da França e de atender às aspirações patrióticas de seus peticionários, os abaixo-assinados fabricantes de velas e outros.

Apenas tenham a bondade de refletir, cavalheiros, e os senhores se convencerão de que talvez não haja nenhum francês, desde o rico dono de carvoaria ao mais humilde vendedor de fósforos, cuja vida não será melhorada por essa nossa petição.

Dado que os senhores cavalheiros já rejeitam o carvão, o ferro, o trigo e os têxteis estrangeiros pelo fato de seus preços serem baixos, que inconsistência seria permitir a luz do sol, cujo preço é zero, durante todo o dia!

O sarcasmo usado foi uma maneira que Bastiat encontrou de ridiculazirar as medidas tomadas pelo governo francês, que impedia os consumidores de adquirir produtos estrangeiros mais baratos. Vejam bem, há mais de 200 anos atrás já era possível perceber os prejuízos que o protecionismo causa no consumidor local, e ainda assim aqui no Brasil os governantes continuam achando uma boa ideia. Pior ainda, por meio de sofismas induzem a população a acreditar que isso é bom, sempre citando a questão dos empregos nacionais.

Concluindo, o protecionismo protege indústrias ineficientes de sofrerem concorrência internacional. Cria reservas de mercado, permite que sejam produzidos produtos de qualidade inferior e mais caros e causa distorção na distribuição de mão-de-obra (a ineficiência demandará mais empregos e pagará salários mais baixos). Incentiva o desperdício de recursos, encarece os custos de produção e como consequência disso tudo, prejudica o consumidor final.

 

 

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