Guerra ao dinheiro

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A guerra contra o dinheiro em espécie é real e está acontecendo no mundo todo. Governos e legisladores trabalham fortemente propondo e implementando leis que dificultam a retirada de dinheiro em espécie. Em alguns países, já estão retirando cédulas de circulação. O caso mais emblemático aconteceu na Índia em 2016, quando o primeiro ministro Narendra Modi determinou que as notas de 500 e 1000 rúpias não teriam mais valor. Da noite para o dia, o governo indiano eliminou 86% das notas em circulação no país. As pessoas poderiam trocar as notas por outras, mas em um limite de 4000 rúpias por pessoa, somas acima disso deveriam ser encaminhadas através de contas bancárias.

Nos últimos artigos venho explicando de forma resumida como funcionam o sistema bancário, financeiro e monetário global, e como eles todos convergem para um mesmo objetivo. Nosso sistema bancário cria dinheiro do nada, por meio da multiplicação das reservas fracionárias. A crise de 2008 levou os bancos centrais a inundarem o sistema bancário de dinheiro, e o endividamento do governo é “justificado” pelo arranjo dos bancos centrais para a criação de dinheiro. Todo esse sistema só é possível através do dinheiro digitalmente criado. A criação de dígitos eletrônicos é mais cômoda, é mais fácil, é simples, é rastreável pelos governos. Como os bancos cobrarão taxas de juros negativas, se as pessoas retirarem seu dinheiro fisicamente? Como eles terão tanto poder de criar e multiplicar dinheiro, se exigirmos que sejam lastreados em quantidades físicas?

Isso não é uma teoria da conspiração, a guerra ao dinheiro está acontecendo para que estejamos presos no nosso atual instável sistema financeiro. A desculpa usada pelos governos é a de que o dinheiro físico é majoritariamente usado para atividades ilícitas como lavagem de dinheiro. Mas isso não passa de uma cortina de fumaça para o verdadeiro objetivo. O dinheiro eletrônico é muito mais inseguro e usado para evasão de impostos e lavagem de dinheiro. Em 2015 usuários de bancos britânicos perderam cerca de 755 milhões de libras envolvendo pagamentos em cartão e transações online. Em 2014 os bancos globais desembolsaram 65 bilhões de dólares em multas decorrentes de casos de lavagem de dinheiro, tudo pelos seus sistemas de online banking.

Sobre a segurança, em uma pesquisa realizada na Inglaterra entre 2014 e 2015, 4,6% dos adultos reportaram já terem sido vítimas de fraudes envolvendo cartões, enquanto apenas 0,7% reportaram roubos de cédulas delas mesmos e 1,5% de roubo de cédulas em suas casas. Similarmente nos Estados Unidos, essa porcentagem fica em apenas 1,8%.

Logicamente que caminhamos cada vez mais para transações eletrônicas, é uma tendência natural. Em nossa economia moderna, transações rápidas e com alcance global são extremamente necessárias, mas os governos não deveriam nos tirar a opção do uso de cédulas físicas. Aliás, o fato de os governos estarem movendo forças para acelerar o processo de uma sociedade sem dinheiro (cashless society), já é de desconfiar até o mais cético dos cidadãos. Essa agenda é puramente para aumentar o controle sobre nós e nos amarrarem cada vez mais em seus sistemas monetários instáveis e perigosos.

A maior comprovação de que os governos não possuem como real objetivo promover um alcance à todos, da comodidade e rapidez das transferências online, é porque a iniciativa privada desenvolveu um substituto para isso. Já existe um sistema capaz de nos proporcionar todas as benesses de transferências de dinheiro digital e ainda assim fugir do sistema financeiro inflacionário e podre a que tentam nos amarrar. Sim, tratam-se das criptomoedas. No próximo artigo trarei as principais propriedades das criptomoedas e no que elas se diferenciam do dinheiro eletrônico.

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