O produto mais exportado de cada país da América do Sul

América do Sul das commodities; assim podemos chamar o continente sul-americano ao analisar o principal produto exportado por cada país. Temos a soja e suas variantes como líder nas exportações do Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. E o petróleo cru assumindo a liderança na Venezuela, Equador e Colômbia.

Na categoria de minerais, temos o minério de cobre como principal exportação do Chile e Peru, e o Ouro da Guiana e Suriname. O gás liquefeito de petróleo (GLP) assume a ponta no que tange as exportações da Bolívia.

O que são commodities?

Basicamente define-se uma commodity (singular de commodities) como produtos de características uniformes, independente de sua origem. O termo é usado majoritariamente para descrever bens primários, que são extraídos e sofrem pouca ou nenhuma industrialização.

O preço das commodities é determinado exclusivamente pela oferta e demanda internacional, tendo suas cotações divulgadas nas bolsas de valores do mundo inteiro.

É ruim um país depender só de commodities?

Não exatamente, a extração de bens primários é o início da cadeia produtiva, sua necessidade sempre será essencial para a indústria em geral. Isso é o que chamamos de divisão internacional do trabalho.

Para exemplificar o que estou falando, nada melhor que Milton Friedman para explicar em poucos minutos:

Na “história de um lápis” podemos ser ainda mais específicos para o caso brasileiro. No vídeo, Milton diz ter conhecimento de que a madeira usada para fabricar o lápis foi cortada no estado de Washington.

Para ser cortada foi necessária uma serra, para se fazer uma serra é necessário aço, e para fazer aço, precisamos de minério de ferro. Vejam bem, na fabricação de um simples lápis haverá a necessidade da segunda principal mercadoria exportada pelo Brasil.

O ponto que quero chegar é de que não há necessidade de gastarmos nossos recursos tentando fabricar coisas das quais não somos especialistas.

Ao fabricarmos carros aqui no Brasil por exemplo, e tributarmos massivamente os importados para “proteger e desenvolver a indústria nacional”, criamos um protecionismo que nos “premia” com preços de automóveis absurdos.

Poderíamos muito bem direcionar essa mão-de-obra para a extração de produtos primários e importar sem tributação carros europeus de primeira linha, com preços acessíveis.

Usando o exemplo do Chile para embasar o meu ponto de vista, o país andino possui além do cobre, uvas e filetes de peixe entre as mercadorias mais exportadas. Quantas montadoras de carro? Nenhuma.

O Chile extrai cobre e importa carros que chegam ao consumidor com preços até 20% menores que aqui no Brasil. É um exemplo claro de bom uso da divisão de trabalho internacional, da globalização e do livre mercado.

Outro exemplo claro seria a Nova Zelândia, que possui entre suas principais exportações, leite, carne de ovelha e madeira. Montadoras de carros? Nenhuma. Resultado, o país pouco tributa automóveis de fora, e seus preços ficam acessíveis ao consumidor local.

Não há mágica nisso, ao tentarmos produzir de tudo a fim de utopicamente querer proteger a indústria nacional, acabamos produzindo um monte de porcarias e com alto custo.

Imaginemos o seguinte cenário, o governo decide tributar ainda mais os smartphones, tornando inviável a importação e “forçando” as fabricantes a abrirem instalações no Brasil. (Isso se essas empresas acharem que vale a pena).

Obviamente não conseguiríamos competir com o custo de uma fabricação no Taiwan ou China. Essas montadoras teriam então as seguintes opções:

1) Vender o produto com preço alto ao consumidor brasileiro, devido à baixa produtividade e alto custo. O que acarretará em baixa demanda e risco ao retorno de investimento.
2) Baixar o nível de qualidade do produto para reduzir o custo, e colocar um preço mais acessível ao consumidor brasileiro. (Pensem nos carros nacionais 1.0 que nos ofertam aqui)
3) Decidir não investir no país.

Concluindo, todo protecionismo é burro e prejudica o consumidor local. Fazer uso da globalização, divisão internacional do trabalho e nos especializarmos naquilo que somos bons, é o único caminho para termos produtos e serviços de qualidade acessíveis a todos.

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