O produto mais importado de cada país da América do Sul

A predominância do petróleo refinado como principal produto importado pelos países da América do Sul, continua.

O produto que nada mais é do que o petróleo cru fracionado ou transformado em seus derivados (gás natural, GLP, gasolina, querosene e etc.), é também a principal mercadoria comprada de nosso país.

É curioso que muitos países sul-americanos possuem o petróleo cru como principal item exportado, e ainda precisam importar grandes quantidades do refinado.

No artigo referente a impostos sobre a gasolina, explico porque o Brasil ainda precisa importar enormes quantidades desse produto.

É interessante notar que o caso de importações do Chile, corrobora com o ponto de vista explicitado no artigo de produtos mais exportados. Tornando-se um país exemplo do bom uso da divisão internacional do trabalho.

Complementando o tema de importações, transcrevo aqui a clássica petição sarcástica que o economista Frédéric Bastiat enviou ao governo francês em meados de 1800.

Para o leitor entender o contexto, nessa época a França impôs pesadas taxas de importação para diversos tipos de produtos, desde agulhas até locomotivas, tudo em nome de “proteger a indústria nacional”.

Foi então que Bastiat escreveu a Petição dos fabricantes de velas, ao governo francês. Que acabou se tornando um histórico documento, muito válido até os dias atuais. Segue versão resumida:

Petição dos fabricantes de velas, candeias, lâmpadas, candelabros, lanternas, corta-pavios, apagadores de velas, e dos produtores de sebo, óleo, resina, álcool, e em geral de tudo relativo à iluminação.

Aos membros da Câmara dos Deputados.

Cavalheiros:

Sua principal responsabilidade é para com os interesses do produtor. Os senhores desejam protegê-lo da competição estrangeira e reservar o mercado doméstico para os produtores nacionais.

Estamos sofrendo a intolerável concorrência de um rival estrangeiro, o qual possui uma vantagem competitiva tão incrivelmente superior no que diz respeito à produção de luz, que ele consegue inundar nosso mercado doméstico com esse produto a um preço impressionantemente baixo.

No momento em que ele fornece seu produto, nossos consumidores nos abandonam e correm para esse nosso rival, e assim uma importante indústria nacional com inúmeras ramificações é deixada completamente estagnada.

Este rival, que vem a ser ninguém menos que o sol, faz-nos uma concorrência tão impiedosa, que suspeitamos ser incitado pela pérfida Inglaterra (boa diplomacia nos tempos que correm!), visto que o mesmo tem por aquela esnobe ilha uma condescendência que se dispensa de ter para conosco.

Pedimos-vos encarecidamente, pois, a gentileza de criardes uma lei que ordene o fechamento de todas as janelas, clarabóias, frestas, gelosias, portadas, cortinas, persianas, postigos e olhos-de-boi; numa palavra, de todas as aberturas, buracos, fendas e fissuras pelas quais a luz do sol tem o costume de penetrar nas casas, para prejuízo das meritórias indústrias de que nos orgulhamos de ter dotado o país — um país que, por gratidão, não deve nos abandonar agora em prol de tão desigual concorrência estrangeira.

Se os senhores impedirem ao máximo todo o acesso à luz natural, criando assim uma demanda por luz artificial, qual indústria francesa não se sentirá estimulada? Qual indústria francesa não será beneficiada por tal protecionismo?

Se mais sebo for consumido, terá de haver mais gado bovino e ovino; e, consequentemente, ver-se-á multiplicarem-se as pastagens, a carne, a lã, o couro e, sobretudo, o estrume, que é o alicerce de toda a riqueza agrícola.

Se mais óleos forem consumidos, estaremos estimulando a cultura da papoula, da oliveira e do nabo. Estas plantas ricas e erosivas oportunamente nos permitirão aproveitarmo-nos da crescente fertilidade que o rebanho adicional trará às nossas terras.

Nossas terras áridas serão cobertas com árvores repletas de resina. Numerosos enxames de abelhas recolherão, nas nossas montanhas, tesouros perfumados que emanam das flores – as quais hoje desperdiçam suas fragrâncias no ar desértico.  Não haverá, pois, um único ramo da agricultura que não se beneficiará enormemente de tal política.

As mesmas observações se aplicam à industrial naval. Milhares de barcos seguirão para a pesca da baleia e, em pouco tempo, possuiremos uma marinha digna de manter a honra da França e de atender às aspirações patrióticas de seus peticionários, os abaixo-assinados fabricantes de velas e outros.

Apenas tenham a bondade de refletir, cavalheiros, e os senhores se convencerão de que talvez não haja nenhum francês, desde o rico dono de carvoaria ao mais humilde vendedor de fósforos, cuja vida não será melhorada por essa nossa petição.

Dado que os senhores cavalheiros já rejeitam o carvão, o ferro, o trigo e os têxteis estrangeiros pelo fato de seus preços serem baixos, que inconsistência seria permitir a luz do sol, cujo preço é zero, durante todo o dia!


O sarcasmo usado foi uma inteligente maneira que Bastiat encontrou de ridicularizar as medidas tomadas pelo governo francês, que impedia os consumidores de adquirir produtos estrangeiros mais baratos.

Vejam bem, há mais de 200 anos atrás já era possível perceber os prejuízos que o protecionismo causa no consumidor local, e ainda assim temos defensores dessa medida nos dias atuais.

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