A realidade do uso de terras no Brasil

Constante alvo de polêmicas, o tema sobre desmatamento e áreas de proteção no Brasil é um debate que atravessa fronteiras.

O Fundo Amazônia, criado em 2007, é um dos motivos de tornar a conservação ambiental brasileira uma discussão internacional.

Tendo recebido cerca de R$ 3,4 bilhões em doações em seus 11 anos de existência, o fundo é usado para financiar atividades de monitoramento, prevenção e combate de desmatamento ilegal na Amazônia.

Sendo a Noruega o principal país doador para o fundo (94%), seguido da Alemanha (5%), os países europeus possuem voz ativa no que tange as decisões pelo uso do dinheiro.

Recentemente, a decisão da nova administração federal em trocar o conselho que definia a aplicação de verbas do fundo, causou desconforto entre os patrocinadores.

A sugestão de usar o dinheiro do fundo para indenizar proprietários rurais em unidades de conservação, também foi prontamente rechaçada pelos europeus.

As divergências de ponto de vista do governo brasileiro para com os patrocinadores do fundo se acentuaram, e a extinção do fundo passou a ser uma probabilidade real.

O debate público sobre o assunto também é bastante polarizado. Ao passo que uns acusam o fundo de ser uma lavagem de dinheiro para ONG’s internacionais, outros enxergam o Brasil como um país irresponsável no que tange a preservação do meio-ambiente, e por isso necessita de ajuda e regulamentações de fora.

A grande mídia, quase sempre repercutindo a opinião estrangeira, parece sempre acusar o Brasil de ser um péssimo conservador de seu ecossistema.

Acerca do tema, fomos atrás de dados sobre áreas de proteção e conservação no Brasil, e também de países com extensão territorial semelhante, a fim de averiguar qual a real situação brasileira em comparação ao cenário global.

Conforme exposto no infográfico acima, o Brasil é o líder isolado em área de proteção terrestre, dentre os países com mais de 2,5 milhões de km² de área total.

Com 29,42% de todo seu território atribuído a áreas de preservação, o Brasil destoa positivamente de sua imagem de país que não conserva seu meio-ambiente.

Em segundo lugar temos a Austrália com 19,27% de seu território atribuído a áreas de preservação, seguida pela China com 15,61%. Os EUA com 12,99% e Canadá com 10,66% completam o top 5.

A Rússia com 9,73%, a Argentina com 8,45%, a Índia com 5,97% e o Cazaquistão com 3,31%, completam os nove países com mais de 2,5 milhões de km².

É importante notar que a média de porcentagem de área destinada a preservação dos nove países, fica em 12,82%. O que nos mostra que o Brasil preserva mais que o dobro da média dos países de grande extensão territorial.

Também é interessante mencionar que muitos países destinam essas áreas a desertos, como é o caso da Austrália, China e EUA. O mapa com a exata localização de todas as áreas de preservação dos países, pode ser visto em protectedplanet.net.

Como são definidas as áreas de conservação?

As áreas de conservação nomeadas pelo Centro de Monitoramento de Conservação Mundial da ONU (UNEP-WCMC), usam duas definições claras para tal:

Uma área geograficamente definida a qual é designada ou regulamentada e gerenciada, para atingir a objetivos de conservação específicos.” – Convenção de diversidade biológica, 1992.

Um espaço geográfico claramente definido, reconhecido, dedicado e gerenciado, por meios legais ou outros meios efetivos, para alcançar a conservação da natureza a longo prazo, com serviços de ecossistema associados e valores culturais.” – União Internacional para a conservação da Natureza (IUCN), 2008.

Com essa definição, o próprio UNEP-WCMC filtra os cadastros de áreas feitos em sua base de dados. Áreas indígenas também contam como unidades de conservação.

Mapa das unidades de conservação do Brasil

O mapa acima, elaborado pela Embrapa, traz a porcentagem de 30,2% de áreas protegidas. O que difere em aproximadamente 0,78% do número usado pelo UNEP-WCMC.

O próprio site da centro encarrega-se de explicar possíveis divergências: “Por usar uma base de dados global para calcular valores nacionais, há o reconhecimento de que os resultados podem divergir ligeiramente dos usados a nível nacional. Isso irá influenciar na cobertura da área protegida do país ou território.”

Abaixo o infográfico indicando todas as áreas legalmente atribuídas pelo governo federal:



Um estudo mais abrangente com os mapas de unidades de conservação, bem como áreas de quilombolas, de assentamentos da reforma agrária e áreas militares, pode ser visto neste projeto da Embrapa.

Apenas para comparação, segue abaixo infográfico comparando a porcentagem de áreas de preservação, com a de lavouras no Brasil.

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